quarta-feira, 11 de agosto de 2010

PENSAMENTO I

“Não é um dia para a política. Guardei esta oportunidade, foi meu único compromisso do dia. Para falar-lhes brevemente sobre a ameaça irracional da violência nos EUA, que mancha a nossa terra, e nossas vidas. Isso não diz respeito a nenhuma raça em particular. As vítimas da violência são negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, famosos e desconhecidos. São, acima de tudo, seres humanos a quem outros seres humanos amaram e de quem precisaram. Ninguém, não importa onde viva ou o que faça, pode saber quem será o próximo a sofrer com o derramamento de sangue sem sentido. No entanto, continua sem parar neste nosso país. Por quê? O que se conseguiu com violência até agora? O que ela gerou? Cada vez que uma vida americana é tirada sem necessidade por outro americano, seja em nome da lei ou desafiando a lei, por um homem ou um grupo, a sangue frio ou por impulso, num ataque de violência ou como resposta à violência, cada vez que rasgamos o tecido de nossas vidas, que outro homem com dor e sofrimento teceu para si próprio e para os filhos, cada vez que fazemos isso, então toda a nação se degrada. Porém, toleramos o crescente índice de violência, que ignora tanto a humanidade que temos em comum quanto o desejo de sermos civilizados. Muitas vezes, defendemos a arrogância, a desordem e aqueles que exercem a força. Muitas vezes, justificamos aqueles que estão dispostos a construir as próprias vidas às custas dos sonhos esmagados de outros seres humanos. Mas não resta dúvida de que a violência gera violência, a repressão gera represálias e só a purificação de toda a nossa sociedade pode remover essa doença de nossas almas. Porque se ensinar um homem a odiar e temer o próximo, se ensinar que ele é um homem inferior pela sua cor ou suas crenças, ou pela ideologia política que ele segue, se ensinar que quem é diferente ameaça a sua liberdade, o seu trabalho, a sua casa ou a sua família, então estará aprendendo a tratar os demais não como cidadãos, mas como inimigos. Não a colaborar reciprocamente, mas sim a derrotar. A ser subjugado e dominado. Aprendemos, por último, a ver nossos irmãos como estranhos. Estranhos com quem dividimos a cidade, mas não a comunidade. Pessoas com quem dividimos o espaço, mas sem esforço em comum. Aprendemos a compartilhar apenas um medo em comum, apenas o desejo em comum, de nos afastarmos uns dos outros. O impulso em comum de reagir às diferenças com a força. Nossas vidas neste planeta são muito curtas. A missão a ser realizada é grandiosa demais para permitir que este espírito siga prosperando nesta nossa terra. É claro que a solução não é um programa de governo, nem uma votação, mas talvez possamos lembrar, nem que seja por um segundo, que os que vivem conosco são nossos irmãos, que compartilham conosco a mesma vida passageira, que eles procuram, como nós, nada mais do que a oportunidade de viver suas vidas com propósito e felicidade, ganhando a satisfação e a realização que puderem. Sem dúvida, este vínculo de destino comum, com certeza este vínculo de metas em comum, pode começar a nos ensinar alguma coisa. Seguramente podemos aprender pelo menos a olhar à nossa volta e realmente ver o próximo. Aí poderemos nos esforçar um pouco mais para curar as feridas entre nós , nos transformando de todo coração, em irmãos e compatriotas outra vez.”

(Discurso do então senador e ex-presidenciável estadunidense Robert Francis Kennedy - ou, simplesmente, Bob Kennedy - 1968)

Interessante pensarmos que, mesmo sendo um texto da década de 1960 ainda é (e talvez seja ainda mais) tão atual e condizente com a realidade de todo e qualquer lugar do planeta.

Peço apenas que leiam com atenção e reflitam suas vidas e cada ação que promoverem...

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